O capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o seu olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel.
O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières.
Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível.
«Wook»
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Opinião Pessoal:
- Tal como todos os restantes livros de JRS este é mais um dos seus fabulosos romances.
Não se espera nada por menos, a sua forma empolgante de escrever é um aprendizado constante.
Em simultâneo escreve uma história formidável, retrata ao pormenor uma época prendendo o leitor com ensinamentos constantes e valiosos.
Irei transcrever um trecho de uma ou outra página - sendo tantas e diversas é para mim de difícil escolha - para que jamais esqueça a sua tremenda importância.
Pág. 83 (...)
" Concluo que Deus concede a Sua graça independentemente dos méritos dos que a recebem. Todos somos pecadores, cabe a Deus escolher arbitrariamente quem vai ser salvo. E, como essa escolha foi efectuada antes ainda de o mundo ter sido feito, o que nós fizermos é irrelevante, Deus já fez as suas opções antes mesmo de praticarmos o bem ou o mal. Ou seja, o que quer que façamos não conta para nada, as coisas estão decididas antes mesmo de acontecerem." (...)
Pág. 88 (...)
" Bem, isso é outra coisa. Sabes o Schopenhauer via o mundo como uma coisa cruel, um local de sofrimento é preciso matar. Por exemplo, a todo o momento os animais estão a matar outros animais, são milhares e milhares de mortes por segundo em todo o mundo. Vae victis. Para que um único animal carnívoro viva durante um ano, uma centena de animais terá de morrer de modo a alimentar esse único sobrevivente. E para que um único animal herbívoro viva durante esse mesmo ano, muita vegetação tem de morrer para lhe dar de comer. Por outro lado, as próprias plantas vivem à custa do aprodecimento da carne dos animais e dos restos das outras plantas.
Ou seja, a vida alimenta-se de muita morte. Dura lex sed lex. Schopenhauerachava que o mundo dos homens obedece à mesma lei, os seres humanos vivem uma vida de sofrimento em que os homens são escravos das suas necessidades e desejos. É uma vida feita de violência, de frustrações, de dor, de doenças, de medo, de escravidão, de luta, de vitórias efémeras e derrotas permanentes, é um processo de perdas constantes e sucessivas, e o pior é que tudo isso acaba sempre mal,, a vida termina invariavelmente com a perda final, a morte, na nossa existência não há fins felizes." (...)
Pág. 89 (...)
"Viver é sofrer. e o que é mais curioso é que, apesar de ser um constante sofrimento, nós agarramo-nos à vida com todas as nossas forças, como se fosse o maior tesouro, a coisa mais preciosa. Mas a vida está sempre in articulo mortis. Ela foge-nos, escapa-se-nos como água entre os dedos, morremos em cada respiração, a cada palavra, a cada olhar, momento a momento encurta-se a distância que nos separa do nosso fim, nascemos e já estamos condenados à morte.
A vida é breve, não passa de um instante fugaz, de um brilho efémero nas trevas da eternidade." (...)
Pág. 92 (...)
"Newton disse que Deus criou o universo e depois ficou de fora e deixou-o funcionar segundo as regras que Ele próprio tinha estabelecido. Mas Espinosa achou que esta ideia estava mal formulada. Pois, se Deus é infinito, então é porque Ele está em tudo. Se Ele estivesse separado do mundo e dos homens , como uma espécie de entidade exterior, então o mundo e os homens seriam o Seu limite. Não pode ser. Uma coisa infinita, por definição, não tem limites. Sendo infinito, não pode Deus ser uma coisa e o mundo e os homens serem coisas diferentes. Não pode haver nada que Deus não seja. Logo, se Deus é infinito, a fortiori Deus é tudo." (...)
- Estou a adorar o livro, aliás não era esperado outra coisa. Quando finalizar farei um comentário final.
Acabei!
Foi uma adorável viagem no tempo. Formidável.
Foi uma adorável viagem no tempo. Formidável.

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