terça-feira, 4 de janeiro de 2011

13 Gotas ao Deitar de Alice Vieira, Leonor Xavier, Rosa Lobato de Faria, Catarina Fonseca, Rita Ferro, Luísa Beltrão

Sinopse
Quando seis autoras se juntam para escrever uma história, o resultado é um romance alucinante, onde não faltam mulheres e homens, doenças raras, médicos de índole suspeita, polícias e muito mistério, tudo servido em doses de humor irreverente.
A história, nascida da imaginação de seis mulheres, promete personagens e uma prosa bem viva… apesar das mortes que vão ocorrendo, como é bom de ver. Este romance constitui um divertimento para as seis escritoras que se encontraram (reencontraram, num caso ou noutro) pelo prazer de dar largas à imaginação e escrever, cada uma, dois capítulos do livro. 

«Wook» 
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Opinião Pessoal:
Confesso que até à data nunca tive muita tendência a ler livros de autores portugueses. 
A bem da verdade a grande maioria dos livros de escritores portugueses disponíveis ao comum dos seres - no qual eu me incluo - soavam a literatura pesada que não só não se entende facilmente como muitas das vezes não estamos para aí virados.
Comparo ao teatro há umas décadas atrás... com uma linguagem tão rebuscada que se tornava maçador.
Entretanto dou conta da existência de imensos livros engraçados, sérios, profundos, de todo o tipo de temas e... escritores portugueses, o que é óptimo.
Sim, eu sei que muitos já existem há imensos anos, mas então que hei-de fazer? só descobri agora e nunca é tarde!
«13 Gotas ao deitar» ainda estou a ler e a divertir-me imenso e a imaginar o que estas seis malucas - no bom sentido, claro - se divertiram ao conceber história mais doida, com passagens do tipo:

Pág. 30
"(...) Foi um fim-de-semana sem chama nem glória, nada que se parecesse com a série inglesa, tenho de reconhecer.
O campo inglês tinha sebes e cottages e erva por toda a parte e castelos ao longe e lordes de coletes de tweed fumando cachimbo nos pubs e hotéis de telhados de colmo com rastos de fantasmas pelos corredores.
O campo português só me dava caganitas de cabra, e velhos nas tabernas a discutir o futebol, e casas tipo maison, e miúdos ranhosos, e cafés a cair de podres. (...)"
Pág. 57
"(...) Se as mulheres são perversas? « Perversas» é dizer pouco. Na realidade, ainda não se inventou palavra nem expressão que possam, mesmo que ao de leve, aproximar-se do que somos realmente. Nem no pior nem no melhor. Somos seres limitados e infinitos, sagrados e sacrílegos, divinos e profanos, e encerramos em nós todas as contradições. Como dizia o filósofo? «Uma só mulher contém todas as mulheres, e todas as mulheres não são ainda a Mulher.»
E ainda nos vêm falar de violência doméstica!
Os homens espatifam-nos braços e pernas, desfiguram-nos com murros e ácido, rebentam-nos com enxertos e tiros; mas nós, com uma simples frase, capamo-los como a gatos! E, enquanto eles nos matam, nós alvejamo-los com meia dúzia de palavras pensadas, deixando-os inválidos para sempre  - o que será pior? E tudo isto nas calmas, sem levantar a voz, deixando-os iguais por fora e sem qualquer escoriação de que possam acusar-nos. (...)"
Por enquanto acho o livro muito bom de se ler, é uma boa comédia... 
Acabei!!!
Penso que a parte final é um pouco abrupta.
Dá ideia que tinham pressa em acabar o livro... e como qualquer coisa serve como final desde que se cumpram datas, voilá...
Não gostei do final, só do final.





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